sexta-feira, 13 de junho de 2008

Às voltas com os livros

Sem consciência do ato rebelde, todos nós um dia já nos vimos às voltas com situações "Livro na Mão". No meu caso era livro na bolsa e ainda é, mas o quadro já está mudando. Cheguei à loucura (que não consigo mais deixar) de levar 3 ou 4 livros na algibeira, pois fico pensando "mas se eu tiver vontade de ler esse e não aquele, e ele não estiver comigo? E se me der vontade de ler poesia, onde vou achar? E se um pouquinho de teoria me fizer bem e eu não estiver com um livro teórico à mão? Então já levo alguns, uma micro-biblioteca ambulante. Por exemplo, estava com o Oficina do Escritor, do Prof. Nelson Oliveira, mais o Descabelados (poesia), mais o The Art of the Novel, do Milan Kundera (estou apaixonado de novo por Kundera), mais um pequeno livro de contos três autores europeus, Imre Kertész, Péter Esterházy e Ingo Schulze. Pesa, mas vale a pena.

O problema é quando preciso achar algo na bolsa. E imbuído do espírito Livro na Mão, fui comprar cigarros. E não encontrava a carteira. No boteco pela manhã, pessoas com seus pingados na mão, o pão na chapa estrilando sua manteiguinha que se desbranco-amarelecia deixando o pão corado, os salgados que saltavam da estufa, como para-quedistas em fila no avião, só que numa queda para a mão do freguês, os que estavam terminando a noite de bebedeira ou começando o dia com cachaça. Do nada, para achar a bendita carteira, começo a tirar livros. E um. E dois. E três. E agenda. E quatro. As pessoas me olhavam e, em vez de ficar envergonhado, espalhei mais ainda os livros pelo balcão, xingando (com um sorrisinho no rosto) a minha bagunçada bolsa. Percebi umas trocas de olhares entre um engravatado e uma mocinha de mochila nas costas e fone de ouvido. Quando olho de esguelha, percebo-os virando a cabeça para ler os títulos, interessados. Não tive coragem de comentar, nem tempo, pois achei a carteira (que no fim das contas estava em outro bolso da bolsa) e tinha que correr para a empresa.

Espero que eles tenham procurado saber um pouco mais daquela minha bagunça literária...

2 comentários:

SADY FOLCH DE CARDONA disse...

Pete, fico imaginando se não passaram na livraria na hora do almoço, devem ter trocado telefonemas para perguntarem entre si...

- "Você lembra qual era mesmo o nome daquele livro que vimos com aquele rapaz hoje de manhã?"

E o outro responde...

- "Qual deles, pois o rapaz tirou uns quatro da bolsa...achei que fosse sair até um coelho..."

Abraços literários
Sady

Laura Fuentes disse...

Oi Julio, também quero aderir ao movimento!!!!