sábado, 24 de outubro de 2009

Leitura em tira



Foi irresistível postar estas tiras do Adão Iturrusgarai sobre o tema.
Espero que gostem.

domingo, 4 de outubro de 2009

Clubes de leitura

O jornal O Estado de São Paulo publicou hoje matéria que trata do tema do nosso blogue:o amor, a paixão pela leitura e o estímulo. Lindo saber que existem iniciativas como essa no interior do Estado de São Paulo e que vêm desde o século XIX.
Quem quiser ler a matéria na íntegra (com fotos) basta clicar aqui


Gabinetes de leitura ainda resistem

Sorocaba e Jundiaí têm os últimos precursores
das bibliotecas municipais,

que funcionam como clubes literários


Vitor Hugo Brandalise


Em duas cidades do interior do Estado resistem os últimos remanescentes de estrutura típica do Império: os gabinetes de leitura, precursores das bibliotecas municipais, existentes em São Paulo, hoje, apenas em Sorocaba e Jundiaí. Fundados pelas comunidades locais num tempo de pouco incentivo oficial à educação e leitura, os gabinetes funcionam exatamente como clubes sociais - com a diferença de que, em vez de salão de baile, piscina e restaurante, os sócios têm direito a livros, jornais e documentos históricos, cujos primeiros exemplares datam de até dois séculos atrás. Na eterna luta entre tradição e mudança, ao menos nesses locais, a primeira leva a melhor.

Desconhecidos até de moradores das cidades onde estão localizados, os centenários gabinetes - o de Sorocaba foi fundado em 1866 e o de Jundiaí, em 1908 - são últimos representantes da primeira "política cultural" do Estado, implementada em cidades ao longo do eixo ferroviário. "Servem como faróis, a indicar pontos luminosos no mapa do fim do Império. Aparecem em cidades recém-desenvolvidas", explica a historiadora Ana Luiza Martins, autora de pesquisa sobre o tema, que deve virar livro no ano que vem. "Como educação não era prioridade, os gabinetes tiveram também função de escola. A sociedade supria lacunas do governo da época." Entre 1840 e 1889, 17 gabinetes de leitura existiram no Estado, mas desapareceram à medida que o governo republicano investia em educação e construía bibliotecas públicas.

O funcionamento dos atuais gabinetes é o mesmo de clubes sociais: com pagamento de mensalidade (R$ 14, em Sorocaba; R$ 30, em Jundiaí), os sócios têm acesso a assinaturas de revistas (mais de 40 em cada gabinete) e jornais, internet, CDs e DVDs, além de acervo literário em constante renovação (hoje, são 35 mil livros em Sorocaba e 70 mil em Jundiaí). Os sócios também têm direito - eis o ponto-chave - a pedir a compra dos livros que querem. "Os mais pedidos são comprados, para valer a vontade dos sócios", diz o presidente do Gabinete de Leitura Sorocabano, Jardel Pegorete. Entre 20 e 40 títulos são comprados por mês.

Uma pasta no balcão da biblioteca do gabinete sorocabano mostra as indicações dos sócios - o primeiro da lista, a ser comprado no mês que vem, é O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar. "Esse livro deve custar o quê? R$ 60? Pago R$ 14 por mês e pego quantos quiser", diz a técnica em saúde Aline Moraes, de 23 anos.

A mescla de obras antigas - livros do século 18, acervo de jornais locais a partir do século 19, além de documentos com assinatura de personalidades como d. Pedro II e Santos Dumont - com livros recentes é marca dos gabinetes. No espaço infantil do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, em Jundiaí, se encontram a série atual Goosebumps e quadrinhos de Flash Gordon e Tarzan, originais da década de 1930. "A criança aprende a valorizar e comparar as edições", diz o diretor do gabinete, João Antônio Biron.

Nos dois casos, a maior parte dos sócios (entre 70% e 80%) é de pessoas com mais de 60 anos - o restante é formado por pesquisadores e jovens, interessados nas assinaturas dos periódicos. Em Sorocaba, há 750 sócios e, em Jundiaí, 560. Na década de 1970, nos dois gabinetes, o número de sócios chegava a 2 mil. Em Sorocaba, para atrair sócios mais jovens, regras antigas foram flexibilizadas (desde 2005, é possível entrar de bermuda e chinelos) e houve aquisições de computadores. Em Jundiaí, a diretoria aposta na compra de livros. "Somos um gabinete de leitura. Vamos investir no que temos de melhor", afirma o presidente do gabinete, Flávio Buzaneli Júnior.

Outro gabinete de leitura sobrevivente no Estado, mas mantido pela prefeitura, é o de Rio Claro - sua direção defende a municipalização para "democratizar o acesso a obras raras".

Gabinete de Leitura Sorocabano: Praça Cel. Fernando Prestes, 21, Sorocaba; (15) 3232-0768

Gabinete de Leitura Ruy Barbosa: Rua Candido Rodrigues, 301, Jundiaí; (11) 4521-6204

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ler é tanto...


Amo tanto ler, que resolvi publicar na íntegra este texto feito pelo mestre Gabriel Perissé.

Ler é ver, e vender a alma a mim mesmo.

Ler é webmaster ser da própria existência.

Ler é xover com "x" para manter a ordem.

Ler é ynventar um verbo com "y" e ver no que vai dar.

Ler é zíper a fechar e abrir.

Ler, enfim, é percorrer as letras e nunca chegar ao fim. Porque o abecedário é pouco para tanta fome e sede de leitura.

Ler é 1 dos muitos atos que nos fazem ler quem de fato somos.

Ler é 2 livros ler ao mesmo tempo e neles se espelhar.

Ler é 3 vezes mais do que qualquer outro prazer solitário.

Ler é 4 paredes, entre as quais descobrimos quem é inferno ou paraíso para os outros.

Ler é 5 dias no deserto para descobrir o errado, e o certo.

Ler é 6 por meia dúzia, pequena quantidade incerta.

Ler é 7 dias de trabalho, de sol a sol, de lua a lua.

Ler é 8, ou oitenta.

Ler é 9, fora e dentro de mim, viagem para o aquém e o além.

Ler é 10, nota máxima, gesto musical do leitor compulsivo.

Ler letra ou numeral é, em suma, um delito legal.


Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor
Website: http://www.perisse.com.br/

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Contos de blogue agora em livro


No próximo sábado dia 30, na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista (ao lado do Metrô Brigadeiro), à partir das 15h30, dois membros deste Movimento estarão estreando em livro: Laura Fuentes e Petê Rissatti. E muito bem acompanhados, na antologia Blablablogue - Crônicas e Confissões, organizada por Nelson de Oliveira, pela Editora Terracota.

E como a publicação traz contos de 21 autores-blogueiros, certamente o boca-a-boca de todo esse grupo certamente vai ajudar a criar mais público leitor, principalmente os jovens, acostumados à liguagem veloz da blogosfera.

Um incentivo para os aspirantes à escrita profissional, e mais um ponto para o Movimento Livro nas Mãos! Estão todos convidados.

Aqui, o texto sobre o livro escrito pela pena (ou teclas?) do organizador.


A palavra é febre.

Quem pegou o início desse fenômeno de comunicação que em pouco tempo se tornou a blogosfera sentiu em primeira mão um tipo diferente de febre. A febre da liberdade digital. Da democratização da palavra escrita.

Essa febre, essa excitação, essa compulsão é tão contagiante que, uma década depois, o número de blogues no ciberespaço tem crescido de forma exponencial. Atualmente existem perto de 140 milhões de blogues e cerca de 120 mil são criados diariamente (1,4 por segundo).

A maioria das pessoas utiliza os blogues como um diário pessoal, porém eles podem veicular qualquer tipo de conteúdo e ser usados para os mais diversos fins: artísticos, jornalísticos, científicos, políticos, religiosos, corporativos, comerciais etc. A blogosfera ampliou o mundo natural, social e mental.

Como eu disse, a palavra é febre. Muitos a amam, muitos a odeiam. É verdade: tem gente que passa várias horas diárias cultivando seu espaço virtual. Mas tem gente que detesta a cultura blogueira.

Além da possibilidade de interação quase instantânea com os visitantes, a grande diferença entre os blogues e a mídia tradicional, impressa, é a velocidade. Um artigo que levaria horas, dias ou semanas para ser publicado numa revista de papel pode estar disponível em poucos segundos para a leitura num blogue.

O critério usado na seleção dos blogueiros cujos posts compõem este livro foi o mais subjetivo possível: meu gosto pessoal. Por ser escritor, eu preferi ceder a essa inclinação e ficar na deliciosa esfera da crônica e da confissão literária.

Os vinte e um blogueiros convidados para participar desta antologia são todos escritores: onze veteranos de prestígio reconhecido, com livros já publicados, e dez bons estreantes a caminho do reconhecimento. A cada um deles eu pedi que selecionasse os melhores posts publicados nos respectivos blogues.

O resultado: dezenas de crônicas e confissões de escritores deliciosamente febris.

Nelson de Oliveira

Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra (SP). É professor universitário, editor e autor dos livros Ódio sustenido (Língua Geral, 2007), Algum lugar em parte alguma (Record, 2006), A maldição do macho (Record, 2002) e Subsolo infinito (Companhia das Letras, 2000), entre outros. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas, o da Fundação Cultural da Bahia, duas vezes o da APCA e o da Fundação Biblioteca Nacional. Atualmente coordena, em diversas instituições, oficinas de criação literária para autores em início de carreira.


terça-feira, 5 de maio de 2009

# Plano Nacional do Livro e Leitura

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Em homenagem
ao Movimento Livro nas Mãos

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As diretrizes para uma política pública voltada
à leitura e ao livro no Brasil.
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Acesse http://www.pnll.gov.br/ e dê a sua opinião.
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Consulta Pública Permanente.
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Sady Folch
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

# O último dia de aula

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Ontem à noite, por volta das sete horas eu estava dentro do metrô, a caminho da última aula que tivemos no Curso de Formação de Escritores, na ESDC - SP; de repente me peguei espiando as páginas de um livro aberto, sustentado pelas mãos da pessoa à minha frente.
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Lembrei-me do Movimento Livro nas Mãos, nascido dentro do curso e idealizado pela jornalista Cristiane Rogério, que transita com responsabilidade dentro das edições infantis.
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Logo que o trem alcançou o destino determinado por mim, o passado de um ano atrás até o dia de hoje, passou por meus olhos em alguns minutos. Era a última aula teórica daquele ano todo. Duas professoras e cinco professores. Todos trazendo o fino da teoria dentro de suas áreas de trabalho e conhecimento.
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Mas, o meu tempo era agora, e tinha que tentar saber qual era o título do livro. Algum contorcionismo depois devido à lotação do trem, e a Estação Marechal Deodoro estava às portas; achei mais fácil bater no ombro da leitora e perguntar. Com um sorriso de satisfação mostrou-me a capa que estampava a revelação - O MUNDO SEM FIM, de Ken Follett.
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Estava desvendado o mistério do livro nas mãos, ao menos para a postagem que tem em seu objetivo retratar um instante rápido do dia a dia, em que o livro nas mãos seja a evidência. Muitas vezes esses momentos passam desapercebidos diante de nossos olhos, mas, quando nos chama a atenção também cria um misto de alegria e curiosidade.
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Que o Movimento Livro nas Mãos seja alimentado ao longo de anos, e acima de tudo, possa levar ao estímulo da leitura, do pensamento e do conhecimento, por entres as páginas e palavras que compõem esse maravilhoso mundo da Literatura.
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Parabéns a todos os integrantes do Curso de Formação de Escritores, pioneiros da jornada no dizer da escritora Márcia Olivieri, capitaneados pelo educador Gabriel Perissé.
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Sady Folch

sexta-feira, 27 de março de 2009

# Uma Imagem que vale por mil palavras

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Há dias venho observando as pessoas na cidade, à procura de exemplos interessantes a fim de citá-los na página do Movimento Livro nas Mãos. Como não podia deixar de ser, em uma megalópole como São Paulo com dez milhões de habitantes, é natural se deparar com cenas de pessoas lendo nas ruas, nos restaurantes e lanchonetes, nas filas dos bancos e até mesmo no trânsito caótico em que se transformaram as vias da cidade. Ainda assim, nada me cativou tanto a fim de dar-me por satisfeito.
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Continuei a minha procura, em busca daquilo que fosse interessante e diferente, e que tivesse um desenho, uma imagem, uma cena incomum.
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Até que ontem à noite, voltando de uma aula na Escola Superior de Direito Constitucional, onde ocorre já a segunda turma do Curso de Pós Graduação em Formação de Escritores, coordenada pelo educador Gabriel Perissé, parecia ter encontrado o que procurava.
Dois homens em uma esquina, debaixo de um poste iluminado, e, circundados por quase uma dezena de grandes sacos de lixo, liam atentamente a um pequeno livro. Como eu passava de bicicleta, pude perceber inclusive que o livro era de capa dura e na cor vermelha. Tentei ler o que estava escrito na capa, mas, foi impossível. Assim como percebi também que só um deles lia para o outro que ouvia e olhava para o texto.
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Ali estava a imagem que poderia falar por mil palavras.
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O que mais me intrigou naquele momento de leitura foi o fato daqueles homens de meia idade estarem no meio do lixo, vestidos com roupas um tanto surradas, à primeira vista parecendo serem mendigos. Depois inclusive fiquei pensando se eu teria agido com preconceito. Cheguei à conclusão que não foi nada disso, mas, que o local, o contexto, e as figuras chamaram bastante a minha atenção, por não ser uma cena comum que se encontre todos os dias, ou melhor, àquela hora da noite. Mendigos ou não, lendo um livro foi o que na verdade fez todo diferencial na fotografia.
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Estava ali o exemplo que achei poderia ser citado no Blog do Movimento Livro nas Mãos. Quando então, em algumas quadras à frente, depois de umas poucas pedaladas pensando apenas naquela cena, e também no fato de que a curiosidade assaltou-me a alma para saber sobre o que liam aqueles homens, foi que me deparei com uma cena ainda mais inusitada, pois, estava em busca de uma cena e era isso que encontrara minutos atrás.
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Agora estava diante de um grupo de 30 pessoas em plena Avenida São Luis, por volta das 10 e meia da noite, andando juntas e com máquinas fotográficas nas mãos, liam a cidade e suas linhas, seus cantos e suas luzes, seus detalhes e seus dizeres, interpretando-os, fazendo com que uma imagem novamente pudesse, agora de fato, falar por mil palavras.
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