quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ler é tanto...


Amo tanto ler, que resolvi publicar na íntegra este texto feito pelo mestre Gabriel Perissé.

Ler é ver, e vender a alma a mim mesmo.

Ler é webmaster ser da própria existência.

Ler é xover com "x" para manter a ordem.

Ler é ynventar um verbo com "y" e ver no que vai dar.

Ler é zíper a fechar e abrir.

Ler, enfim, é percorrer as letras e nunca chegar ao fim. Porque o abecedário é pouco para tanta fome e sede de leitura.

Ler é 1 dos muitos atos que nos fazem ler quem de fato somos.

Ler é 2 livros ler ao mesmo tempo e neles se espelhar.

Ler é 3 vezes mais do que qualquer outro prazer solitário.

Ler é 4 paredes, entre as quais descobrimos quem é inferno ou paraíso para os outros.

Ler é 5 dias no deserto para descobrir o errado, e o certo.

Ler é 6 por meia dúzia, pequena quantidade incerta.

Ler é 7 dias de trabalho, de sol a sol, de lua a lua.

Ler é 8, ou oitenta.

Ler é 9, fora e dentro de mim, viagem para o aquém e o além.

Ler é 10, nota máxima, gesto musical do leitor compulsivo.

Ler letra ou numeral é, em suma, um delito legal.


Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor
Website: http://www.perisse.com.br/

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Contos de blogue agora em livro


No próximo sábado dia 30, na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista (ao lado do Metrô Brigadeiro), à partir das 15h30, dois membros deste Movimento estarão estreando em livro: Laura Fuentes e Petê Rissatti. E muito bem acompanhados, na antologia Blablablogue - Crônicas e Confissões, organizada por Nelson de Oliveira, pela Editora Terracota.

E como a publicação traz contos de 21 autores-blogueiros, certamente o boca-a-boca de todo esse grupo certamente vai ajudar a criar mais público leitor, principalmente os jovens, acostumados à liguagem veloz da blogosfera.

Um incentivo para os aspirantes à escrita profissional, e mais um ponto para o Movimento Livro nas Mãos! Estão todos convidados.

Aqui, o texto sobre o livro escrito pela pena (ou teclas?) do organizador.


A palavra é febre.

Quem pegou o início desse fenômeno de comunicação que em pouco tempo se tornou a blogosfera sentiu em primeira mão um tipo diferente de febre. A febre da liberdade digital. Da democratização da palavra escrita.

Essa febre, essa excitação, essa compulsão é tão contagiante que, uma década depois, o número de blogues no ciberespaço tem crescido de forma exponencial. Atualmente existem perto de 140 milhões de blogues e cerca de 120 mil são criados diariamente (1,4 por segundo).

A maioria das pessoas utiliza os blogues como um diário pessoal, porém eles podem veicular qualquer tipo de conteúdo e ser usados para os mais diversos fins: artísticos, jornalísticos, científicos, políticos, religiosos, corporativos, comerciais etc. A blogosfera ampliou o mundo natural, social e mental.

Como eu disse, a palavra é febre. Muitos a amam, muitos a odeiam. É verdade: tem gente que passa várias horas diárias cultivando seu espaço virtual. Mas tem gente que detesta a cultura blogueira.

Além da possibilidade de interação quase instantânea com os visitantes, a grande diferença entre os blogues e a mídia tradicional, impressa, é a velocidade. Um artigo que levaria horas, dias ou semanas para ser publicado numa revista de papel pode estar disponível em poucos segundos para a leitura num blogue.

O critério usado na seleção dos blogueiros cujos posts compõem este livro foi o mais subjetivo possível: meu gosto pessoal. Por ser escritor, eu preferi ceder a essa inclinação e ficar na deliciosa esfera da crônica e da confissão literária.

Os vinte e um blogueiros convidados para participar desta antologia são todos escritores: onze veteranos de prestígio reconhecido, com livros já publicados, e dez bons estreantes a caminho do reconhecimento. A cada um deles eu pedi que selecionasse os melhores posts publicados nos respectivos blogues.

O resultado: dezenas de crônicas e confissões de escritores deliciosamente febris.

Nelson de Oliveira

Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra (SP). É professor universitário, editor e autor dos livros Ódio sustenido (Língua Geral, 2007), Algum lugar em parte alguma (Record, 2006), A maldição do macho (Record, 2002) e Subsolo infinito (Companhia das Letras, 2000), entre outros. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas, o da Fundação Cultural da Bahia, duas vezes o da APCA e o da Fundação Biblioteca Nacional. Atualmente coordena, em diversas instituições, oficinas de criação literária para autores em início de carreira.


terça-feira, 5 de maio de 2009

# Plano Nacional do Livro e Leitura

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Em homenagem
ao Movimento Livro nas Mãos

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As diretrizes para uma política pública voltada
à leitura e ao livro no Brasil.
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Acesse http://www.pnll.gov.br/ e dê a sua opinião.
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Consulta Pública Permanente.
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Sady Folch
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

# O último dia de aula

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Ontem à noite, por volta das sete horas eu estava dentro do metrô, a caminho da última aula que tivemos no Curso de Formação de Escritores, na ESDC - SP; de repente me peguei espiando as páginas de um livro aberto, sustentado pelas mãos da pessoa à minha frente.
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Lembrei-me do Movimento Livro nas Mãos, nascido dentro do curso e idealizado pela jornalista Cristiane Rogério, que transita com responsabilidade dentro das edições infantis.
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Logo que o trem alcançou o destino determinado por mim, o passado de um ano atrás até o dia de hoje, passou por meus olhos em alguns minutos. Era a última aula teórica daquele ano todo. Duas professoras e cinco professores. Todos trazendo o fino da teoria dentro de suas áreas de trabalho e conhecimento.
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Mas, o meu tempo era agora, e tinha que tentar saber qual era o título do livro. Algum contorcionismo depois devido à lotação do trem, e a Estação Marechal Deodoro estava às portas; achei mais fácil bater no ombro da leitora e perguntar. Com um sorriso de satisfação mostrou-me a capa que estampava a revelação - O MUNDO SEM FIM, de Ken Follett.
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Estava desvendado o mistério do livro nas mãos, ao menos para a postagem que tem em seu objetivo retratar um instante rápido do dia a dia, em que o livro nas mãos seja a evidência. Muitas vezes esses momentos passam desapercebidos diante de nossos olhos, mas, quando nos chama a atenção também cria um misto de alegria e curiosidade.
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Que o Movimento Livro nas Mãos seja alimentado ao longo de anos, e acima de tudo, possa levar ao estímulo da leitura, do pensamento e do conhecimento, por entres as páginas e palavras que compõem esse maravilhoso mundo da Literatura.
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Parabéns a todos os integrantes do Curso de Formação de Escritores, pioneiros da jornada no dizer da escritora Márcia Olivieri, capitaneados pelo educador Gabriel Perissé.
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Sady Folch

sexta-feira, 27 de março de 2009

# Uma Imagem que vale por mil palavras

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Há dias venho observando as pessoas na cidade, à procura de exemplos interessantes a fim de citá-los na página do Movimento Livro nas Mãos. Como não podia deixar de ser, em uma megalópole como São Paulo com dez milhões de habitantes, é natural se deparar com cenas de pessoas lendo nas ruas, nos restaurantes e lanchonetes, nas filas dos bancos e até mesmo no trânsito caótico em que se transformaram as vias da cidade. Ainda assim, nada me cativou tanto a fim de dar-me por satisfeito.
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Continuei a minha procura, em busca daquilo que fosse interessante e diferente, e que tivesse um desenho, uma imagem, uma cena incomum.
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Até que ontem à noite, voltando de uma aula na Escola Superior de Direito Constitucional, onde ocorre já a segunda turma do Curso de Pós Graduação em Formação de Escritores, coordenada pelo educador Gabriel Perissé, parecia ter encontrado o que procurava.
Dois homens em uma esquina, debaixo de um poste iluminado, e, circundados por quase uma dezena de grandes sacos de lixo, liam atentamente a um pequeno livro. Como eu passava de bicicleta, pude perceber inclusive que o livro era de capa dura e na cor vermelha. Tentei ler o que estava escrito na capa, mas, foi impossível. Assim como percebi também que só um deles lia para o outro que ouvia e olhava para o texto.
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Ali estava a imagem que poderia falar por mil palavras.
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O que mais me intrigou naquele momento de leitura foi o fato daqueles homens de meia idade estarem no meio do lixo, vestidos com roupas um tanto surradas, à primeira vista parecendo serem mendigos. Depois inclusive fiquei pensando se eu teria agido com preconceito. Cheguei à conclusão que não foi nada disso, mas, que o local, o contexto, e as figuras chamaram bastante a minha atenção, por não ser uma cena comum que se encontre todos os dias, ou melhor, àquela hora da noite. Mendigos ou não, lendo um livro foi o que na verdade fez todo diferencial na fotografia.
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Estava ali o exemplo que achei poderia ser citado no Blog do Movimento Livro nas Mãos. Quando então, em algumas quadras à frente, depois de umas poucas pedaladas pensando apenas naquela cena, e também no fato de que a curiosidade assaltou-me a alma para saber sobre o que liam aqueles homens, foi que me deparei com uma cena ainda mais inusitada, pois, estava em busca de uma cena e era isso que encontrara minutos atrás.
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Agora estava diante de um grupo de 30 pessoas em plena Avenida São Luis, por volta das 10 e meia da noite, andando juntas e com máquinas fotográficas nas mãos, liam a cidade e suas linhas, seus cantos e suas luzes, seus detalhes e seus dizeres, interpretando-os, fazendo com que uma imagem novamente pudesse, agora de fato, falar por mil palavras.
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domingo, 1 de março de 2009

# SORVIL LIVROS

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LIVROS LORVIS,
SILVOR LIVROS,
SERVÍ-ME,
LIVROS RILVOS,
LIRVOS LIVROS,
VERSÍ-ME.
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Sady Folch

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Luiz Bras, Tereza Yamashita e o Movimento Livro na Mão

O Movimento Livro na Mão está nas ondas do rádio. Os queridos Tereza Yamashita e Luiz Bras comentaram sobre seus livros, sua formação, o universo da literatura infanto-juvenil e sobre o MLM em uma entrevista bem bacana dada a Oscar d'Ambrósio, jornalisa e crítico de Arte da ABCA e da AICA Brasil, na Rádio Unesp. Para ouvir, clique aqui.